
Em maio deste ano fiz uma viagem bacana, que há tempos desejava fazer. Peguei meu filho, meu marido e fomos passar 4 dias no Beach Park, em Fortaleza. Qualquer pessoa que conheço ficaria ansiosa para o dia da viagem chegar o mais rápido possível. Porém, como meu modo “pessoa normal” veio com defeito, eu rezo para que os dias passem o mais lentamente possível.
A razão disso tudo? O maldito avião. Conforme a data da viagem se aproxima, mais agonizante é o meu desespero. Desta vez até sonhei com meu falecido avô me recepcionando no céu.
Chega a data de partida. Aeroporto cheio de gente, e eu na fila para despachar as malas. Observo cada rosto presente no local. Aguardo a chamada para embarque como se estivesse esperando minha sentença no corredor da morte. Meu coração vai a mil, minha atenção se dispersa para vários pontos daquele monstruoso meio de locomoção. Como uma vez disse o poeta Vinícius de Morais: “O bicho é mais pesado que o ar e o motor, a explosão. Ainda por cima, inventado por um brasileiro? Não pode dar certo.”
Procuro por minha poltrona. Nela, tento permanecer confortável. O avião começa a taxiar pista afora e passo a guarda do meu filho imediatamente para o pai. Ligo o Ipod, companheiro de todas as horas, no volume máximo. Rezo…pra Deus, Oxalás, Buda, Allah, Cabala. Todas as divindades são acionadas por um único pedido: por favor, não caia!
Cronometro no relógio os 15 minutos críticos do início do vôo (pra quem não sabe, esse é o tempo que leva para o avião se estabilizar no ar). Já no décimo sexto minuto toda a aflição some, como em um passe de mágica, e assim vai até os 15 minutos que precedem o pouso. Em terra firme, agradeço a todos os deuses por terem poupado o meu avião. Bora aproveitar a viagem!
No parque, desço toboáguas de 41 metros de altura, em uma queda livre de 105 km por hora. Medo? Zero! E assim passam-se os dias, na maior folia e adrenalina possível. Esqueço por um momento que uma hora terei que desafiar a gravidade novamente, ao voltar para o mundo real.
No fim da viagem, já no aeroporto, tenho 230 fotos para colocar no computador, um bronzeado bacana e muitas histórias para contar. Penso no vôo, e me sinto um pouco mais confiante do que antes. Curiosamente, visto uma camiseta que leva os dizeres: “Eu Sobrevivi” (referente a queda de 41 metros do Insano, o toboágua). Meu marido saca exatamente o que estou pensando e, ironicamente, diz: “- Desta queda vai ser mais difícil se safar, né?”
E começa tudo de novo.
No related posts.
Tags: avião, crônicas, família, medo, pânico


2 Comments
Cara, eu morro de medo de viajar de avião também… sou capaz de desmarcar algo só pra não viajar…
Cara, é o mesmo pânico que eu tenho! Toda vez eu penso sem querer: agora eu morro!!! Bom saber que existem outros como eu! EHEHEHEHE
Beijos
tatiana cavalcanti